Jvk1166z.eps

Algumas pessoas podem se lembrar do burburinho momentâneo causado em 2009 por um mod de Morrowind particularmente estranho. O nome do arquivo era jvk1166z.esp. Ele nunca foi publicado em nenhuma das maiores comunidades de Elder Scrolls, apenas em fóruns menores e grupos de RPG. Eu sei que, em alguns casos, em vez de ser postado, ele foi enviado via mensagem privada (PM) ou e-mail para "alguns poucos escolhidos". Pelo que sei, o arquivo ficou online por apenas alguns dias.

Isso causou um burburinho porque era um vírus, ou pelo menos parecia ser. Se você tentasse carregar o jogo com o mod ativo, ele ficava travado na tela de carregamento inicial por uma hora inteira e depois fechava para a área de trabalho. Se você deixasse chegar a esse ponto, sua instalação do Morrowind, junto com quaisquer arquivos de save que você tivesse, ficaria completamente corrompida. Ninguém conseguia descobrir o que o mod estava tentando fazer, já que não podia ser aberto no Construction Set. Eventualmente, espalharam-se avisos para não usá-lo caso o encontrasse, e as coisas se acalmaram.

Cerca de um ano depois, em um fórum de mods que eu costumava frequentar, alguém apareceu com o mod novamente. Ele disse que o recebeu por PM de um lurker (usuário anônimo) que excluiu a conta imediatamente após o envio. Ele também disse que a pessoa o aconselhou a tentar jogar o mod através do DOSbox. Por alguma razão, isso funcionou... mais ou menos. O jogo ficava um pouco travado e você não conseguia acessar as Opções, Carregar Jogo, o console, ou realmente qualquer outra coisa além do jogo em si. As teclas de atalho de QuickSave e QuickLoad funcionavam, e era só isso. E o arquivo de QuickSave parecia ser mesclado ao arquivo do jogo, então você não conseguia mais acessá-lo externamente. Alguns especularam que o jogo alterado usava um renderizador gráfico mais antigo, tornando o DOSbox necessário, mas os gráficos não pareciam diferentes.

Sobre esta parte eu posso falar por experiência própria. Quando você começa um novo jogo no JVK (como o fórum passou a chamá-lo), assim que você sai da área inicial no Census Office e entra no jogo propriamente dito, a primeira coisa que você percebe é que a caixa de mensagem dizendo "a profecia foi rompida" aparece. Isso ocorre porque todos os NPCs que têm a ver com a missão principal estão mortos, com a única exceção de Yagrum Bagarn, o último dos Dwemer. Seus cadáveres nunca desaparecem (não dão respawn), então você pode verificar todos eles. Na prática, você começa em um mundo que já está condenado desde o início.

A segunda coisa que você percebe é que você está perdendo vida. É só um pouco, mas continua acontecendo, aos poucos. Quanto mais tempo você ficar parado em um lugar, mais rápido parece ocorrer. Se você deixar essa perda de vida matá-lo, você descobrirá a causa: uma figura que passamos a chamar de Assassino, porque ele parece usar uma versão com texturas alteradas da armadura da Dark Brotherhood da expansão Tribunal (mesmo que as expansões não funcionem no JVK). Ele é todo preto, completamente sem textura, como se fosse apenas um buraco no espaço. O jeito como ele se move... me deu um baita susto na primeira vez que o vi rastejando sobre o meu cadáver. Ele rasteja de forma desumana com as mãos e os pés, seus braços e pernas se abrem como os de uma aranha. Geralmente, você só o via após a morte, rastejando ao redor e sobre o seu corpo pouco antes da tela de carregamento aparecer. Ocasionalmente, você podia ter um vislumbre dele correndo ao virar uma esquina ou rastejando por uma parede ou teto. Isso tornava o jogo muito difícil de jogar no escuro!

Fora isso, a única diferença perceptível é que à noite, em intervalos aleatórios, todos os NPCs do jogo saem de suas casas por alguns minutos. Durante esse tempo, a única coisa que eles dizem quando você interage é: "Cuidado com o céu." Assim que retornam ao seu comportamento normal, eles agem como de costume.

Depois de um tempo, um jogador no fórum descobriu um novo NPC chamado Tieras, um elfo negro (Dunmer) no templo em Ghostgate. Duas coisas são notáveis sobre este NPC: a primeira é o seu roupão, uma peça de roupa única e detalhada, com estrelas cintilantes por toda parte, parecendo um pedaço rasgado do próprio céu noturno. A segunda é que todo o seu diálogo, além de aparecer na caixa de texto, é dublado. Você pode pular o diálogo se quiser, mas parece ser a voz padrão masculina de um Dunmer. Algumas pessoas disseram que a voz era "levemente" diferente, mas, se fosse, era uma imitação muito, muito boa.

Não vou entrar em detalhes, mas a linha de missões que ele te passa tem a ver com uma masmorra chamada simplesmente de 'A Cidadela'. Até este ponto, as missões eram todas do tipo genérico "descubra os segredos dos antigos". A entrada para esta masmorra fica em uma pequena ilha muito a oeste de Morrowind. Eu acabei descobrindo que, se você usasse um Pergaminho do Voo Icariano (Scroll of Icarian Flight) no ponto mais ocidental do continente e pulasse direto para o oeste, você cairia quase exatamente na ilha.

Embora a masmorra se chame Cidadela, ela vai direto para baixo. Ela supera qualquer outra masmorra do jogo, tanto em tamanho quanto em dificuldade. De uma área natural de caverna, você desce para uma área que se parece com uma tumba ancestral, depois para ruínas Daedricas e, em seguida, para ruínas Dwemer. Eu cheguei até as Ruínas Dwemer antes de desistir. As criaturas lá eram tão fortes que um personagem de nível 20 teria que tomar cuidado, e como você não pode usar trapaças de console no JVK, chegar ao nível 20 levava bastante tempo. Como QuickSave e QuickLoad são suas únicas opções, é muito fácil acabar preso em uma situação impossível. Isso aconteceu comigo, e eu simplesmente não tinha energia para recomeçar tudo de novo.

 
O que vou contar agora é baseado no testemunho dos poucos que foram mais longe. Passando as Ruínas Dwemer, você aparentemente encontra um nível parecido com elas, mas mais escuro. Em vez do bronze habitual, todas as superfícies, incluindo as das criaturas, são negras. Os sons de máquinas são muito altos ali e ficam ainda mais altos aleatoriamente. Há também vapor ou névoa por toda parte, limitando sua visão a cerca de três metros no jogo. Se você conseguir passar por tudo isso, chegará a uma sala no final de um corredor. Aqueles que a encontraram a chamaram de Sala dos Retratos (Portrait Room).

Assim como o fogo de tochas ou outros sprites de jogos 3D antigos, os quadros dessa sala estão sempre virados diretamente para você, não importa de que ângulo você olhe. As imagens nas molduras eram sempre escolhidas aleatoriamente da pasta "Minhas Imagens" do próprio computador do jogador. No fórum, aqueles que chegaram a este ponto se divertiram postando capturas de tela da Sala dos Retratos com várias fotos hilárias nas molduras (geralmente pornografia, é claro).

No final do corredor havia outra porta, mas trancada. Depois de admitir a derrota e voltar a Tieras, ele passou a dizer apenas: "Cuidado com o céu" com sua voz grave. Além disso, ninguém mais no jogo dizia mais nada. Tentar falar com os NPCs abria uma caixa de diálogo completamente em branco, sem opções. Eles sequer soltavam as tradicionais saudações de áudio genéricas do jogo. A única exceção era à noite; sempre que saíam por alguns minutos, eles repetiam: "Cuidado com o céu". Nesse ponto, um dos jogadores — um amigo meu do fórum — notou (junto com os poucos que chegaram até lá) que o céu noturno não era mais o céu noturno habitual de Tamriel; ele havia mudado para uma representação do céu noturno do mundo real. E ele se movia.

A partir deste ponto, tudo é baseado no que essa pessoa relatou. Eventualmente, ele acabou sendo banido do fórum, mas mantive contato com ele por e-mail. Segundo ele, com base nas constelações e planetas, o céu começava por volta de fevereiro de 2005. Se você morresse, carregasse o jogo ou voltasse para a Cidadela, o céu recomeçava dessa data. Quando o céu diurno voltava, o movimento das estrelas era suspenso até a noite seguinte. No espaço de uma única noite no jogo, o céu noturno avançava cerca de dois meses. Como a passagem do tempo no JVK era igual a do jogo padrão, isso significava que um pouco menos de uma hora na vida real equivalia a um ciclo de 24 horas no jogo.

Ele se convenceu de que a porta da Sala dos Retratos se abriria com base em algum tipo de evento celestial. Obviamente, esperar por isso significava deixar o jogo rodando sem parar. E claro, isso também significava que o jogo não poderia ser deixado sozinho, graças ao nosso velho amigo, o Assassino. Meu amigo decidiu que iria deixar o jogo aberto durante um dia inteiro (na vida real), só para ver se algo acontecia. Isso representaria cerca de um ano de movimento no jogo. Aqui está a postagem que ele fez no final desse experimento:

"Eu carreguei em Seyda Neen, onde tudo começa. Não foi tão ruim, só tinha que checar de vez em quando para me mexer e curar, pra garantir que eu não estava morrendo. Mas saca só! Depois de exatas 24 horas, o Assassino aprendeu um truque novo! ELE GRITA! Eu estava lendo e, de repente, esse grito alto e maluco me fez borrar de medo. É como algo saído de um filme de terror! Eu olho para a tela, e lá está ele, agachado bem na minha frente. Claro, no segundo em que movi meu personagem, ele fugiu. Quando voltei para a Sala dos Retratos, a porta ainda estava trancada. Porra, porra, porra!"

Um pouco mais tarde, ele chegou à conclusão de que precisava esperar três dias reais — o equivalente a três anos no jogo. O raciocínio dele era que a mensagem privada nos aconselhando a usar o DOSbox foi enviada em fevereiro de 2008. Esse era o ponto no tempo do céu noturno que ele achava que precisava alcançar.

"Depois do primeiro grito, o Assassino para de te atacar do nada. Agora ele só grita, e se você não se mexer por alguns segundos depois do grito, aí sim ele te ataca. Acho que quem fez o mod estava tentando ajudar. De noite, eu estava de fones de ouvido e meio que cochilando... quando ele me acorda com um grito; eu dou uma mexida rápida no mouse, e fico de boa!"

Essa mensagem foi no segundo dia, enviada do laptop dele. Assim que acabou o terceiro dia...

"PORRA, PORRA! A merda aconteceu. Esperei os três dias, beleza, e logo depois do Assassino me fazer mexer o mouse, ele gritou de novo. Então eu olho para a tela, e todo mundo na cidade está do lado de fora. Estão todos dizendo: 'Olhe para o céu.' Mas eu não vejo nada. Só que aí o jogo começa a ficar escuro... tipo, MUITO escuro. Eu aumento o brilho do meu monitor no máximo, e ainda mal consigo ver. Tem outras pessoas no jogo, umas figuras pequenas correndo à distância, indo de um lado pro outro. Se eu tento chegar perto, elas fogem."

"Já estava de madrugada e as luzes do meu quarto estavam apagadas, isso foi assustador demais. Eu não queria levantar para acender a luz porque não queria perder nada, mas NADA acontece. Eventualmente, eu vou para a Cidadela... ainda estava escuro, tive que nadar no mar, e o tempo todo eu via todos esses caras nadando ao meu redor, quase invisíveis. Eu chego na Cidadela e lá dentro a iluminação está normal, e eu me animo. Mas adivinha? A porta da sala dos retratos ainda estava completamente trancada. Eu vou lá fora e o céu tá recomeçando do zero de novo. Então é isso. Vou pra cama, pra mim já deu. Fim."

Depois disso, duas coisas aconteceram. Primeiro, alguém que chegou à Sala dos Retratos no JVK afirmou que o Assassino estava aparecendo no save de seu jogo normal de Morrowind (explicação rápida: se você instalasse o Morrowind em uma pasta diferente, você poderia ter uma instalação normal junto com a do JVK). Ele mesmo achou que era apenas uma imaginação hiperativa no início, mas relatou sustos reais com a figura negra rastejando em sua direção, ou a vendo esperando em uma esquina antes de afundar no chão. Outro usuário que chegou à Sala dos Retratos começou um jogo normal de Morrowind logo depois, mas nunca o viu com certeza; foram apenas algumas vezes de "eu acho que vi", tarde da noite, e sempre à distância.

A segunda coisa foi que meu amigo começou a ficar muito agressivo e tóxico no fórum, embora tivesse parado completamente de falar sobre o JVK. Ele ficou tão problemático que logo foi banido. Não tive notícias dele por algumas semanas depois disso, então enviei um e-mail. Esta foi uma parte da resposta dele:

"Eu sei que não devia, mas como as aulas acabaram, tive um tempo livre e abri o JVK de novo. Já é quase 2011 no jogo... e acho que estou ficando louco de falta de sono! Mas as coisas estão acontecendo! O jogo continua escuro... depois daquele dia, nunca mais clareou. Fica um breu pra sempre. E os NPCs se mudaram há alguns meses... todo mundo de Seyda Neen foi para aquela pequena caverna de bandidos. Eles mataram os bandidos lá dentro, e agora ficam só parados no escuro. Eles não dizem mais nada; não fazem nada quando você clica neles. Eu até salvei o jogo rápido e ataquei um, e ele só ficou parado até morrer, sem revidar!"

"E é assim em todo lugar. Você tem que ir andando pelo mapa, já que o pessoal das viagens rápidas (Silt Striders) agora também está nas cavernas, e todas as cidades e vilas estão desertas; o povo está todo escondido em cavernas e tumbas. Todo mundo em Vivec está nos esgotos. Vou para Ghostgate em seguida... Quero ver se o Tieras ainda está lá. Te aviso o que ele disser quando eu chegar!"

Eu respondi que queria saber o que ele diria também, e esperei um dia. Como não tive resposta, enviei outro e-mail, e algumas horas depois ele me respondeu:

"Desculpa, esqueci totalmente. Então, o céu já está em 2014 agora... como é sempre noite, as estrelas estão sempre se movendo. A tela toda fica escura, mas ainda dá para ver as estrelas mais brilhantes se mexendo. O Tieras sumiu. Aliás, todo mundo em Ghostgate sumiu. Não sei para onde foram, não estão em nenhuma das cavernas próximas. Mas tem coisas novas acontecendo... as pessoas nas outras cavernas continuam sem dizer nada, mas os olhos delas estão sangrando. A tela é tão escura que, mesmo usando um feitiço de luz, você tem que encostar o rosto neles para ver, mas estão lá, pequenas listras escuras escorrendo dos olhos. Acho que vou ter que me aproximar mais. Sei que isso é estúpido e que não tem como a recompensa na sala valer a pena, mas eu só quero poder dizer que zerei essa porra!"

Recebi essa mensagem durante o dia. Mais tarde, naquela mesma noite, recebi um e-mail de acompanhamento:

"Alguns planetas não estão se movendo direito. Isso está me irritando... se continuar assim, não vou mais conseguir saber a data. Já é quase 2015 agora, eu acho. Que se foda. Sabe, só agora reparei que não tem mais monstros no mapa. Estou completamente sozinho lá fora. Só os cadáveres do pessoal da missão principal ainda estão espalhados por aí. Fui lá ver como eles estavam."

"Não preciso mais usar os fones de ouvido, tirei e deixei de lado. Quando o Assassino grita, é tão alto que parece que está gritando direto no meu ouvido na vida real. Acho que até já prevejo quando vai acontecer. Ele aparece muito mais perto de mim agora, muito mais perto mesmo. E ele é diferente daquelas outras 'pessoas' que começaram a aparecer no escuro, lembra? Aquelas que ficam correndo de um lado pro outro e que eu mal consigo ver. Tenho que admitir que dá um puta medo jogar isso de madrugada. Algumas vezes, quando vou ao banheiro ou algo assim pela casa, juro que vejo alguma coisa com o canto do olho. Estou deixando todas as luzes acesas agora."

Enviei um e-mail brincando com ele, dizendo para ele desligar o PC e ir dormir de verdade, e deixei por isso mesmo. Duas manhãs depois, encontrei isso na minha caixa de entrada. Foi a última coisa que recebi dele. Depois disso, ele parou de responder completamente:

"Acabei de acordar de um pesadelo fodido, eu acho. O Assassino gritou comigo, e quando abri meus olhos, ele estava ali no meu quarto, agachado em cima de mim na cama. Seus braços e pernas eram mais compridos, parecendo ainda mais com os de uma aranha. Tentei empurrá-lo, mas quando toquei nele, minhas mãos afundaram, e eu não conseguia soltá-las, como se ele fosse feito de piche ou algo assim."

"Aí eu acordei. Pensei que ele tivesse sumido, mas quando olhei para o monitor, eu não estava onde eu tinha parado. Eu estava no Corprusarium, com o Yagrum. Por um milagre, a iluminação do jogo estava normal, e eu podia vê-lo inchado naquelas pernas mecânicas de aranha. Sentei no computador e ele começou a falar comigo. Não por uma caixa de texto, mas falando comigo de verdade pelo áudio, com a voz do Tieras. Ele sabia coisas sobre mim. Me disse coisas reais da minha vida que eu nunca contei a ninguém, e algumas que eu já tinha até esquecido. Ele me disse que quase ninguém tinha chegado tão longe, e que a porta ia se abrir em breve. Eu só precisava aguentar mais um pouco. Disse que eu saberia quando chegasse a hora e que eu poderia ser o primeiro a ver o que havia lá dentro."

"E então eu acordei de verdade, mas eu já estava sentado no computador. O personagem ainda não estava onde devia estar no jogo. Neste exato momento, estou nadando até a Ilha da Cidadela. E eu consigo ouvir umas batidas. É na minha janela. Ela fica à minha esquerda, então vou te enviar isso agora, porque deixei meu notebook do lado da cama, à direita. É só um leve tectectectectec... como se ele estivesse batendo o dedo no vidro da minha janela. Pode ser que eu ainda esteja sonhando agora."

Acho que esse é o fim da história. Sei que existem alguns outros contos rolando por aí sobre esse mod, mas esse é o único que eu sei que é verdade, pelo menos até onde acompanhei. Eu apaguei minha cópia do JVK logo depois que desisti de jogar, mas gostaria de conseguir o mod novamente se alguém ainda tiver uma cópia do arquivo. Quero ver um pouco disso com meus próprios olhos.

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> Autor original: Desconhecido (postado por volta de 2011)
> Tradução: Levi Feitosa e Xonei

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