27 de janeiro de 2009
Eu realmente não sei como começar este diário. Minha médica (minha psiquiatra, Dra. Bronn) sugeriu que eu começasse a escrever em nossa consulta na semana passada. Acho que ela pensa que isso vai me ajudar a lidar com os “sonhos”. Eu não acho que sejam sonhos, mesmo que ela e minha esposa continuem insistindo que são. Mas não sei o que são. Eu simplesmente não consigo explicar.
Talvez devesse começar pelo início. Acho que foi há uma semana e meia. Por volta do dia 15, durante aquele período quente estranho que fez no meio do inverno. Não que o inverno realmente fique frio aqui na Califórnia, mas fazer quase 32 graus na Área da Baía em pleno janeiro é bizarro, não importa o que aconteça. Eu estava acordado até tarde da noite, trabalhando, e levei o cachorro para dar uma última mijada antes de dormir. Normalmente eu só ficava parado no jardim da frente com ele, mas decidi ir até a Trilha do Cavalo de Ferro aquela noite. É uma trilha legal a pouco mais de 800 metros da minha casa. Nós caminhamos muito lá durante o dia, mas não costumo ir à noite. Acho que sempre tive um pouco de medo do escuro. Talvez tenha algo a ver com o fato de ter crescido no interior.
Estou divagando de novo. Levei o cachorro para a Trilha do Cavalo de Ferro. Como eu disse, fica a mais ou menos 800 metros de lá, só área residencial até chegar à trilha em si. A trilha é cercada por casas, mas parece bastante isolada quando você entra nela. É estranho. Dá para ver toneladas de estrelas, mesmo estando na cidade, e aquela noite estava especialmente brilhante. A trilha estava vazia, exceto pelo cachorro e por mim. Nós entramos no mato (o Jon chama de “mato sujo”) para que o cachorro pudesse fazer as necessidades dele, e eu fiquei observando o céu.
A trilha continua por um longo caminho. Não tenho certeza, mas acho que tem cerca de 32 quilômetros de ponta a ponta. De qualquer forma, nós caminhamos pelo matagal por um tempo, quase até a entrada do parque próximo. Deve ser mais uns 400 metros, mas duvido. Há uma grande árvore lá que caiu. Na verdade, acho que foi cortada por causa de danos causados por alguma tempestade ou algo assim. De qualquer forma, ela está caída de lado, bem ao lado do caminho que leva de volta ao parque. O cachorro finalmente decidiu cagar quando chegamos lá, então paramos e, novamente, fiquei olhando para o céu, observando as estrelas e a lua.
Era uma noite quente, como eu disse, mas de repente comecei a tremer. E não foi aquele arrepio que dá quando se está com frio. Ou melhor, não mesmo. Foi mais como aquele arrepio que dá no final de uma longa e boa mijada. Prazeroso, mas ainda assim estranho? Eu realmente não sei como descrever. Talvez não seja algo que todo mundo sinta. Eu não conseguia parar!
Cem tremores depois, eu finalmente parei. Não sei quanto tempo durou, na verdade. Tudo ainda parecia igual: as estrelas, a lua, o cachorro agachado ao meu lado... então talvez tenha sido apenas um instante, mas pareceu uma hora — uma vida inteira!
Meu cachorro, Buck, estava choramingando. Talvez ele estivesse fazendo isso enquanto eu tremia, mas não sei. Nem tenho certeza se o ouvi logo depois que voltei a mim ou se, novamente, foi horas depois. Não era o gemido normal dele, de quando ele quer sair. Foi...
Eu não consigo nem dizer o que era. Foi um gemido de morte. Eu tive uma cadela quando era criança que morreu de câncer, a Anne, e me lembro dela choramingando e chorando quando a situação ficou tão ruim que tivemos que sacrificá-la. O Buck estava fazendo aquilo, mas também estava babando e espumando, com espasmos e com os olhos revirando.
A primeira coisa que pensei foi que ele tivesse encontrado algo ruim na grama. Um pedaço afiado de metal, algum veneno ou algo assim. Entrei em pânico, é claro. A Dra. Bronn me perguntou por que não o peguei no colo e corri para casa ou para um hospital veterinário, e eu não sei por que não fiz isso. Eu não conseguia nem pensar em fazer isso. Meus pensamentos foram...
Meus pensamentos foram de esmagar o crânio dele até ficar plano.
Eu — eu mal consigo escrever isso, mesmo agora, uma ou duas semanas depois. Não que pensamentos terríveis não sumam com o tempo. Mas, por alguma razão, naquele momento, eu só queria matar o meu cachorro.
Tremo de novo, só de lembrar, e o pensamento sumiu. Eu me inclinei para ver se o Buck estava bem, e ele já tinha voltado ao seu estado normal de Golden Retriever. O pelo dele estava assentado, ele não estava babando nem nada, e me deu uma grande lambida quando fiquei na altura dele. Não havia nada de errado. Eu o abracei, me levantei e começamos a caminhar de volta para a rua para ir para casa. Não fomos pelo mato desta vez, mas pela trilha pavimentada.
Quando chegamos à calçada, parei e olhei para trás. Vi um ciclista fazendo um passeio noturno descendo o caminho. A lanterna na frente da bicicleta dele iluminou um gato de rua na lateral do caminho. Nada de estranho.
Voltamos para casa, coloquei o Buck no canil dele e fui para a cama depois de escovar os dentes. Minha esposa e meu filho já estavam dormindo; li por alguns minutos e depois apaguei.
Acho que vou ter que esperar o sol nascer amanhã para anotar os sonhos que tive naquela noite. Foi isso que me fez procurar a Dra. Bronn em primeiro lugar. Quero parar de ter esses sonhos.
28 de janeiro de 2009
Liguei para a Dra. Bronn sobre esses diários. Eu não quero escrevê-los, mas ela acha que eu preciso. Acho que preciso aceitar o que aconteceu. Vamos ver se consigo.
31 de janeiro de 2009
Acontece que eu não consegui escrever nada depois da minha primeira entrada. Isso trouxe muitas memórias de volta. Mas por que eu teria todas essas memórias? Eu não poderia ter feito nenhuma das coisas de que me lembro. Não houve tempo suficiente e, além disso, minha família está bem. Eu não os machuquei como me lembro. Graças a Deus!
Acho que estas anotações servem para alguma coisa, no entanto. Lembrei-me de algo que deixei de fora na outra entrada. Quando o Buck e eu chegamos à calçada e olhei para trás, vi algo diferente do cara na bicicleta. Havia algo perto da árvore. Há um pequeno bosque ali, talvez vinte ou cinquenta árvores na parte do parque perto da trilha, e havia algo mais. Eu — eu não vi, mas eu senti. Havia algo de errado.
Estes últimos dias também pareceram errados. Não o mesmo tipo de erro. Tenho tido — sonhos. Pesadelos. Visões das quais não consigo acordar, onde machuco minha esposa e meu filho. E então, no dia seguinte, não me lembro delas como sonhos. É como se eu tivesse realmente cometido os atos que imaginei, e há um choque doentio e horrível ao vê-los saudáveis, andando por aí. Ver meu filho brincando com seus brinquedos parece um sonho em vez da realidade. Não consigo beijar minha esposa sem sentir que estou beijando um cadáver.
Mas a noite passada foi a pior. Eu não fiz nada com a minha família. Mas ontem à noite, ele me chamou. Fiquei deitado ali e escutei. Eu não conseguia me mover. E ele me dizia, uma e outra vez, o que eu ia fazer. Com a minha esposa. Com o meu filho. Comigo mesmo.
Acho que preciso me internar. Não acho que estou seguro. Acho que posso machucar minha família. Meu Deus! Não quero machucar ninguém.
8 de fevereiro de 2009
Esfriou de novo. Não que a temperatura pareça mudar alguma coisa quando se trata dos meus sonhos.
Pensei que talvez sair um pouco ajudasse. O Dia dos Namorados é em breve e minha esposa e eu queremos ter um encontro romântico. Acho que meu cunhado vai cuidar do nosso filho para nós. Talvez sair para algum lugar com a minha esposa tire a ideia de machucá-la da minha cabeça.
Falando no meu cunhado, James, saímos no outro dia para um bosque em Marin County. Uma área aberta que um amigo dele recomendou. Foi bom, embora um pouco frio. Tirei algumas fotos (realmente preciso usar mais a minha câmera), mas nada de que eu realmente gostasse. Mas vi algo em uma delas.
Não tenho certeza do que achar disso, mas sinto que já vi isso antes.
Esta entrada terá que ser curta, no entanto. É tarde e preciso voltar a dormir. A única razão pela qual acordei foi porque estava cansado das árvores batendo na janela do nosso quarto.
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> Autor Original: MonkeyMaker no 'Something Awful'
> Traduzido Por: Sr.Levoide (MochiVoide)

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