Para aqueles que não sabem, a era da década de 1980 não foi a melhor época para uma criança crescer na América. Naquela época, estava acontecendo o chamado "Pânico Satânico". Crianças desapareciam a esquerda e a direita, e todos estavam convencidos de que as seitas eram as culpadas. Essa atitude de "culpar os satanistas" era especialmente evidente onde eu cresci, na Carolina do Sul. Por lá, culpar os não-cristãos pelos problemas fazia tanta parte da cultura quanto armas, chá doce e ir à igreja aos domingos. Eu cresci em uma pequena cidade nesse estado que, com o passar do tempo, provou ficar cada vez mais nublado e sombrio ao meu redor.
As coisas começaram a desandar para mim quando eu tinha 12 anos. Eu morava em uma pequena casa de um andar com meus pais e meu irmão de oito anos, o Danny. É seguro dizer que o Danny conseguia ser bem irritante às vezes. Na verdade, olhando para trás, eu diria que ele testava os meus nervos na maior parte do tempo. Ainda assim, no fundo, eu amava aquele garoto. De vez em quando a gente se dava bem, e os momentos em que concordávamos em algo... bem, eles eram verdadeiramente memoráveis.
Nossos momentos juntos cessaram em 13 de abril de 1984. Esse dia parece um sonho para mim agora, uma memória distante. Danny e eu tínhamos acabado de chegar da escola. Nosso pai ainda estava no trabalho e minha mãe também tinha saído, deixando um bilhete na geladeira para nós: "Fui na Jen. Por favor, corram ao supermercado e peguem ovos para eu fazer o bolo de vocês!!!". O dia seguinte era o meu aniversário, eu quase tinha esquecido. Bem, eu disse ao Danny para ficar quieto em casa enquanto eu corria até a loja, mas o pentelho me informou que iria junto. Claro, eu discuti com ele. Eu não precisava dele me amolando no mercado, ele já tinha me irritado o caminho inteiro da escola para casa. Enquanto eu brigava com ele, sabia no fundo da minha mente que tinha que levá-lo. Quero dizer, fala sério, o garoto tinha oito anos, eu não podia deixá-lo sozinho em casa. Meus pais me matariam por isso. Finalmente cedi, mandei ele calar a boca e mantê-la fechada, e saí pela porta com ele.
Obviamente, o pequeno estorvo me amolou o caminho todo. Quando chegamos ao supermercado, eu estava prestes a perder a cabeça com ele. Tudo o que fiz, no entanto, foi puxá-lo de lado e lhe dar uma bronca de mais ou menos um minuto. Olhando para trás agora, eu gostaria de não ter feito isso. Queria apenas ter abraçado o jeito irritante dele. Bem, dei as costas para o pirralho e fui direto para o fundo da loja, em direção ao corredor de laticínios. Como sempre tive problemas para encontrar as coisas no supermercado, fiquei radiante por conseguir achar os ovos. Encontrei o corredor, abri a porta fria do refrigerador e peguei os ovos. Tudo o que restava fazer era passar no caixa e... encontrar o Danny.
Eu não conseguia acreditar. Eu nem sequer tinha ficado de olho no meu irmãozinho depois que lhe dei a bronca. Vasculhei a loja freneticamente e, após não conseguir encontrá-lo por vários minutos, comecei a perguntar aos clientes se tinham visto um menino baixo e loiro. Ninguém tinha a menor ideia. Cheguei ao ponto de pedir ao serviço de atendimento ao cliente para chamá-lo no alto-falante, mas meu irmãozinho não apareceu. A pior parte foi voltar para casa e contar aos meus pais. Eu me senti terrível. O dia seguinte foi o pior aniversário da minha vida, como você pode imaginar. Até hoje eu odeio o meu aniversário por esse motivo.
Por semanas, a polícia o procurou. Meus pais vasculharam freneticamente a cidade inteira, sempre parando para colar cartazes de pessoas desaparecidas por todos os lados. Eu mal conseguia conceber o que poderia ter acontecido. Meus pais me davam broncas todas as noites por causa disso. Meu pai rapidamente caiu em depressão, recorrendo ao álcool como meio de fuga. Depois de um mês, as buscas foram encerradas. Ninguém tinha ideia de onde Danny estava. Ele havia desaparecido sem deixar nenhum rastro.
Algumas semanas após as buscas serem encerradas, a polícia chamou meus pais e lhes mostrou uma fotografia que haviam encontrado no estacionamento de uma loja abandonada.
Essa é a fotografia em questão:
O caso permanece aberto até hoje.
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> Autor Original: Jake Wick
> Tradução: Sr.Levoide (MochiVoide)

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